24.6.11

Avignon-França

Pensamos em escrever um post sobre nosso bate-volta para Avignon, cidadezinha que fica na região Provence-Alpes-Côte d'azur, no sul da França, mas a Mirelle do 13anosdepois que viajou com a gente, fez um texto definitivo. (Olha a malandragem e a preguiça falando alto aqui). Então para mais informações passa lá...

Veneza-Itália

Veneza é um desses lugares incríveis e de beleza única, sabe? O velho clichê ne? Mas também a mais pura verdade. E mais, sim a cidade é romântica. Sim ela é linda. Um pouco fedorenta em alguns lugares por causa da água e de seus canais é verdade, mas nada que quem esteja acostumado com cheiro de mar não suporte. Para mim até um charme.
Bom, dizem que em certas épocas o cheiro fica insuportável...

Os canais e os pombos na Piazza San Marco

A cidade conserva características de vilarejo (talvez pela falta dos veículos motorizados), as ruelas, as flores nas janelas. E os canais? Lindos! Os curiosos barcos (fazendo a vez de carros, taxis, caminhões de mudança). É incrível! E de repente ouve-se um gondoleiro cantando. Um clima muito bom.
Andar e se perder pelos labirintos que são suas ruelas (porque nem os mapas ajudam) é o melhor a se fazer.

Olha o barco-taxi!

Mas também a cidade tem um probleminha: 15 milhões de turistas anuais e a maioria passa por lá no verão, quando a cidade esta mais bonita e também para não correrem o risco de andar pelas ruas inundadas.

15.6.11

Marseille e Ilhas Frioul

Último destino da viagem foi Marseille. A maior cidade do roteiro acabou se mostrando melhor que o esperado. Nunca confie, ou pelo menos não tome como verdade o gosto dos outros. Mais de uma pessoa já tinha me dito que não tinha gostado da cidade, que era “suja” e que tinha “pessoas estranhas”, entenda-se: gente de origens diversas, de costumes e culturas distintas que dividem a mesma cidade, entendi logo que meus colegas de classe são pessoas que preferem cidades, digamos mais padronizadas.

Vieux Port


Vista do Jardin du Pharo


A Catedral do sec. XIX que impressiona quem chega de barco

Mas Marseille foi para mim uma descoberta deliciosa e essa mistura de culturas é justamente uma das coisas mais interessantes. Para inicio de ‘conversa’ a cidade foi fundada por gregos em 600 a. C, isso já dá a ela uma personalidade totalmente diferente do resto da França. Porto comercial e importante porta de imigrantes na França , se tornou uma cidade múltipla e acredite, acolhedora, diferente do resto da França. E o tratamento entre as pessoas muda bastante nessa região, algo que já estava sentindo ao longo do caminho e que depois foi confirmada pelo garçon no “Le Plat Provençal”, restaurante próximo ao Vieux Port, barato e bem servido, aliás, os pratos por aqui fogem do estilo petit dos tradicionais pratos franceses. Uma beleza!

Catedral Notre Dame de la Garde e seus detalhes e
a vista do alto da colina onde ela esta.

Alem de sofrer muitas invasões ao longo da história, facilitada pela proximidade do mar, a parte baixa da cidade foi parcialmente destruída pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, nequela época, a França ficou dividida entre, os que apoiavam a policia nazista e os resistentes, esses na metade sul da França, os prédios construídos ao longo do Quai Vieux Port após esses bombardeamentos, teve a intenção de abrigar o maior numero possível de pessoas e recriar em pouco tempo o ar de vilarejo perdido depois da destruição ( isso tudo eu aprendi na visita guiada de uma estagiária de turismo marseillese que me abordou no albergue - ótimo, Vertigo Vieux Port, e ofereceu seus serviços no meu último dia na cidade). Hoje esses prédios fazem parte do patrimônio mundial da UNESCO.

Detalhes do Palais de Longchamp que abriga dois museus

Des Îles du Frioul

Vale a pena passar uma tarde. Lindas paisagens, falésias , e uma bela praia ( o único probelminha é que a água nessa época do ano ainda esta bem fria. Sofri um pouco no inicio mas não pude deixar de matar as saudades do mar com alguns mergulhos...A visita as ilhas podem ser feitas através dos serviços da Navette, uma embarcação que sai do Vieux Port a cada 30 minutos e que tem dois destinos: Île d'if e Île frioul

D’iF - nela tem um castelo de mesmo nome. E só

Frioul – ilha maior, certa de 3 km, da para percorrer toda a pé - carros e mesmo bicicletas em alguns lugares, são proibidos para manter a tranqüilidade do lugar. E as paisagens não precisam de muitas descrições. Deixo as imagens falarem por si só.

A água é bem convidativa, mas é friaaaa...dei só uns
mergulhinhos e saí tremendo.

De Marseille voltando a Lyon, duas horas por paisagens com plantações de lavanda e trigo para terminar com chave de ouro. :)

13.6.11

nîmes e arles

Continuando meu roteiro, cheguei a Nîmes. A primeira aventura foi percorrer uns quilômetros para chegar no albergue. Como eu precisava passar pelo centro da cidade, estava apenas com uma mochila pequena e também porque a parada do ônibus que teoricamente me deixaria no albergue, fica a 500m do mesmo, justamente a subida que é de matar qualquer viajante, decidi ir a pé mesmo...e bastaram poucos minutos caminhada até chegar ao Quai de la Fontaine para eu me apaixonar por Nîmes. Com pouco mais de 140 mil habitantes, a cidade ja foi de dominio romano e hispanico e a mistura das duas culturas se repira por todo o lado: na arquitetura antiga, nas touradas, na gastronomia...Em Nîmes eu decidi passar dois dias. Minha intenção além de conhecer a cidade era aproveitar para botar o estojo de aquarelas para "funcionar". E não deu outra. Passei toda uma manhã nos Jardins de la Fontaine ( gostaria de morar nessa cidade só por esse lugar, demais!), além de muita água e esculturas, tem um parque nos fundos, onde se percorre uma trilha (10/15 minutos de subida), até o topo, onde esta a Tour Magne - construida no séc. III a C, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade.
No centro histórico ainda tem a grande arena romana e a a Maison Carrée (as duas construções datam do fim do primeiro séc. d. C), na arena as lutas dos gladiadotes foram substituidas pelas touradas-tradição que também aparece por todo o lado: cartazes, grafites, souvenirs de viagem, e por grandes concertos.


Arena em Nîmes e esculturas nos Jardins de la Fontaine

Maison Carrée

O Quai e os Jardins de la Fontaine

Para quem quer conhecer o básico e tem pouco tempo, uma noite por aqui já é suficiente, e o mesmo vale para Arles, cidade que visitei em seguida e que tem as mesmas características históricas e culturais de Nîmes. Elas ficam bem perto uma da outra, certa de 30 minutos de trem. Foi nessa cidadezinha que Vincent Van Gogh passou alguns meses e produziu mais de 300 obras. Alguns lugares imortalizados pelo artista no fim do sec. XIX, podem ser visitados, e claro que minha ida para a cidade tinha esse propósito. Do Café la Nuit e do hospital ( hoje Fundation Van Gogh), passando pela Maison Jaune, pelo Jardin Public e pela Pont des Langlois, esta tudo lá, mantido com as mesmas características (ou quase) que foram retratadas pelo pintor holandês. Os lugares estão concentrados em torno da arena do centro antigo, exceto a ponte que requer alguns quilômetros e um pouco mais de tempo. Decidi também ir a pé (3km) e a paisagem florida do caminhozinho apenas para bicicletas e pedestres vale a pena. Da para sentir o clima que inspirou o artista...

Caminho da Pont des Anglois

O hospital, a ponte e o café pintados por Van Gogh

Uma das charmosas ruas do centro antigo de Arles
e uma parte da arena.

12.6.11

carcassonne

Rumo a cidadela-Carcassonne - Pont Vieux

Foi depois de descobrir que entre o fim das minhas aulas de francês e minha volta para casa, teria quase dois meses te tempo 'livre' (sim, eu trabalho, e essa viagem o alimenta), que eu decidi que precisava viajar sozinho (mentira, o sr. Pereira esta a trabalhar em Lyon). Meu plano inicial era percorrer somente pequenas cidades francesas, mas acabei abrindo algumas exceções por conta das regiões escolhidas, logo Marseille entrou no roteiro.
Bastaram 3 dias para eu descobrir que desaprendi a viajar sozinho: comecei a conversar comigo mesmo na rua, rir nos cafés, cantarolar, assoviar, e toda uma sorte de truques e firulas para disfarçar a estada solitária (risos). Também é muito chato não ter alguém para brigar quando eu erro o caminho do hotel ou para discutir em qual restaurante ir... E para piorar, o pôr do sol nessa época do ano é por volta das 22h00, ou seja, haja atividade para fazer o dia todo... Mas também só quando estamos sozinhos nos permitimos falar com velhas nas praças, mesmo quando elas são monossilábicas (que droga! as velhas francesas não são tagarelas como as nossas!), se comunicar e interagir com os alberguistas. Desses últimos dias, um senhor belga, que está na região para fazer passeios de bicicleta - em média 50 km por dia - foi o mais figura, filosofando sobre o "tempo dos japoneses", e como eles passam por tudo rapidamente e olhando através das câmeras fotográficas, parodiando um dos japas me disse: "hoje é quarta, dia de conhecer a França", haha, mas veio dele também boas dicas para uma futura viagem para Bélgica e as trocas de informações sobre história da arte...enfim, os tipos são dos mais variados, e os papos na sala do petit dejeune sempre rendem alguma coisa.

Minha primeira parada era na histórica e conservada cidade medieval de Carcassonne a 3h00 em TGV de Lyon. Terceiro lugar mais visitado da França (Tour Eiffel e Mont Saint Michel são os primeiros), Carcassonne é um desses lugarejos para se passar uma tarde. Pequena, está concentrada no alto de um monte, fortificado em 100 a.C pelos Romanos. A cidadela (parte interessante de se conhecer), mantém as características da época bem conservadas, eu li num dos guias, que é o maior e mais bem conservado conjunto arquitetônico desse período. Como eu tinha planejado passar uma noite por lá, tive que rodar a cidade várias vezes e não só uma vez cruzei com os mesmos grupos de turistas e estudantes, isso tudo numa mesma tarde. Mas o bom de ficar por lá a noite, é que antes das 10h00 e depois das 17h00 a cidade fica quase vazia, pelo menos mais calma, um bom momento para sentar num café e rabiscasr idéias no caderno ou só ficar vendo a 'vida passar'. No segundo dia, eu resolvi descer a colina e conhecer a parte de baixo que, para quem ja visitou cidades francesas não é tão interessante, já que se parece bastante com as outras, mas é nessa parte que fica o Canal du Midi, que foi construído em 1681 como passagem comercial, para ligar Toulouse ao mar mediterrâneo; e um passeio de bicicleta ou a pé por suas margens é uma boa pedida... Também tem um passeio de barco oferecido logo na saída da Gare de Carcassonne.

Duas das entradas da cidadela

O Canal du Midi




Do que fica são os gostosos passeios sem rumo por suas antigas ruelas e o cheirinho de lavanda por toda a cidade...


17.4.11

primavera

A gente anda com uma preguiça muito grande de escrever. E esse post não é a volta: passando aqui só para compartilhar imagens da primavera - ou a volta das cores a Lyon. A cidade está tão linda! Vontade de ficar o dia todo passeando pelas áreas verdes da cidade, fazendo pic nic e outras coisas gostosas ao ar livre. Só nessas horas que a gente se dá conta do quanto o inverno foi rigoroso e como a cidade fica sem vida nessa época fria. De volta a vida>

11.3.11

férias de inverno

Já faz um tempão que a gente não dá as caras por aqui né? - alguém lê mesmo esse blog? (risos)
Bom, desde o último post quase dois meses se passaram, várias coisas aconteceram: fui "xingado" por uma francesa e elogiado por uma velhinha que ajudei no mercadinho "ainda existe gentileza hoje em dia?" me disse ela espantada, voltei para a minha maratona de aulas de francês - nesse semestre um pouco menos puxado: 17 horas semanais contra as 23 horas do semestre passado e já estou de férias de novo! Duas semanas de férias de inverno. Inverno que aliás está acabando e já começa a esquentar, tem dado calorentos dias de 14º/16ºC por aqui. Isso mesmo! Calor. Já tem francês de camiseta e shortinho desfilando pelas ruas de Lyon. A cidade aos pouquinhos começa a ganhar cor novamente: as primeiras flores já estão nas ruas e logo logo as árvores estarão com folhas, mas disso a gente fala depois. A volta às linhas desse blog é para dividir com vocês nossos últimos dias. Aproveitamos o tempo de folga e fomos conhecer mais algumas cidades francesas:

Grenoble - capital do departamento de Isère, fica próxima aos alpes, a uma altitude de pouco mais de 200 metros acima do nível do mar. É a segunda maior cidade da região Rhône-Alpes e é um dos maiores centros universitários da França com cerca de 60.000 estudantes. Das melhores atrações da cidade, para nós pelo menos, estão o passeio a Bastille, uma fotaleza que fica a mais de 450 metros de altura e que se chega ou a pé ou com o teleférico (primeiro teleférico urbano, inaugurado em 1934). A parte mais gostosa além da vista, é percorrer as trilhas que levam a níveis mais altos da fortaleza, dependendo da disposição da para percorrer algumas com mais de 4 quilômetros. E o Musée de Grenoble também foi uma doce descoberta. Criado em 1798, tem em sua coleção grandes nomes das artes: Gauguin, Rubens, Warhol, La Tour, mas o destaque da nossa visita foi mesmo a exposição temporária que havia começado no dia anterior a nossa visita: Chagall et l'avant-garde russe - coleção do Centre Pompidou de Paris que fica em Grenoble até junho. Na mostra, Chagall é o destaque, com um grande número de obras, mas lá estão Kandinsky, Lipchitz, Larionov, entre outros.
Dos dias que passamos perambulando pelas ruas de Grenoble ainda destacamos o Jardin de Ville, as deliciosas e friorentas caminhadas às margens do rio Isère e o passeio pelo Jardin des Dauphins e na parte do centro antigo, onde circulam apenas pedestres.

Jardin de Ville (alto) e Jardin des Dauphins

Isère e o teleférico e um dos caminhos da Bastille

Chambéry - é uma dessas típicas cidades para se passar apenas um dia. Pequena e sem muita coisa para fazer, me decepcionou um pouco. Acho que descobrir os arredores e cidades ainda menores deve ser mais interessante. Das atrações vale mesmo ir até a casa do escritor Jean-Jacques Rousseau, que rende uma pernada de 40 minutos morro acima, por um caminho com pássaros cantarolando e cenários bucólicos. A casa/museu é bem pequena mas é legal. Daí tem a parte antiga que é bonitinha e o Château des Ducs de Savoie. O monumento principal da cidade é uma praça com uma fonte horrível com quatro elefantes, construído em homenagem ao General de Boigne (risos).
Ahh! Chambéry nos rendeu uma pérola: No hotel descobrimos que a senha da internet WI-FI seria enviada por SMS. Sim! Os franceses que amam tanto um papel, quando poderiam simplificar as coisas, resolvem abandoná-los... (mas no final deu tudo certo).

Exterior e interior da Charmette - Maison Jean-Jacques Rousseau

Vizille - A menor e melhor das três cidades, Vizille fica a apenas 25 quilômetros de Grenoble e passamos apenas um dia por lá. Uma cidadezinha de 7 mil habitantes, que dá para conhecer em poucas horas e é dessas típicas do interior: tudo fecha entre 12h00 e 15h00, exceto os dois restaurantes e a pizzaria que fecha entre 14h00 e 18h00. Desavisados, acabamos comprando nosso almoço numa pâtisserie e almoçamos sentados no gramado da atração principal da cidade: o Château Vizille, construído entre 1600 e 1619, que abriga hoje o Museu da Revolução Francesa e seu jardim foi transformado em parque. O parque aliás é incrível! Passamos praticamente o dia todo nele e percorremos os caminhos margeando um riacho e descobrindo os animais que estão por lá: cisnes, pavões, cervos, peixes. Vale muito a pena dar uma passada pela cidade para conhecer esse lugar.

Imagens de Vizille